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[ Quarta-feira, Abril 28, 2004 ]

AS ORIGENS TRÁGICAS E ESQUECIDAS DO 1° MAIO

Jorge E. Silva


Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio. Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos "seus" trabalhadores. Também existem ¿ ou existiam ¿ aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.

As origens do 1° de maio prendem¿se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar¿lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.

Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oitos horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.

Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: "Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: "Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje".

Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os "Mártires de Chicago", tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.

O crime do Estado americano, idêntico ao de muitos outros Estados, que continuaram durante muitas décadas a reprimir as lutas operárias, inclusive as manifestações de 1° de maio, era produto de sociedades onde os interesses dominantes não necessitavam sequer ser dissimulados. Na época, o Chicago Times afirmava: "A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social", mas outros jornais eram ainda mais explícitos como o New York Tribune: "Estes brutos [os operários] só compreendem a força, uma força que possam recordar durante várias gerações..."

Seis anos mais tarde, em 1893, a condenação seria anulada e reconhecido o caráter político e persecutório do julgamento, sendo então libertados os réus ainda presos, numa manifestação comum do reconhecimento tardio do terror de Estado, que se viria a repetir no também célebre episódio de Sacco e Vanzetti.

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.

Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1 de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia. No entanto, na década seguinte, iniciaram-se as comemorações do 1 de maio em várias cidades, sendo publicados vários jornais especiais dedicados ao dia dos trabalhadores e números especiais da imprensa operária comemorando a data. São Paulo, Santos, Porto Alegre, Pelotas, Curitiba e Rio de Janeiro foram alguns dos centros urbanos onde o nascente sindicalismo brasileiro todos os anos comemorava esse dia à margem da legalidade dominante.

Foram décadas de luta dos trabalhadores para consolidar a liberdade de organização e expressão, que a Revolução Francesa havia prometido aos cidadãos, mas que só havia concedido na prática à burguesia, que pretendia guardar para si os privilégios do velho regime.

Um após outro, os países, tiveram de reconhecer aos novos descamisados seus direitos. O 1° de maio tornou-se então um dia a mais do calendário civil, sob o inócuo título de feriado nacional, como se décadas de lutas, prisões e mortes se tornassem então um detalhe secundário de uma data concedida de forma benevolente, pelo Capital e pelo Estado em nome de S. José ou do dia, não dos trabalhadores, mas numa curiosa contradição, como dia do trabalho. Hoje, olhando os manuais de história e os discursos políticos, parece que os direitos sociais dos trabalhadores foram uma concessão generosa do Estado do Bem¿Estar Social ou, pior ainda, de autoritários "pais dos pobres" do tipo de Vargas ou Perón.

Quanto às oitos horas de trabalho, essa reivindicação que daria origem ao 1º de maio, adquiriu status de lei, oficializando o que o movimento social tinha já proclamado contra a lei. Mas passado mais de um século, num mundo totalmente diferente, com todos os progressos tecnológicos e da automação, que permitiram ampliar a produtividade do trabalho a níveis inimagináveis, as oitos horas persistem ainda como jornada de trabalho de largos setores de assalariados! Sem que o objetivo das seis ou quatro horas de trabalho se tornem um ponto central do sindicalismo, também ele vítima de uma decadência irrecuperável, numa sociedade onde cada vez menos trabalhadores terão trabalho e onde a mutação para uma sociedade pós-salarial se irá impor como dilema de futuro. Exigindo a distribuição do trabalho e da riqueza segundo critérios de eqüidade social que o movimento operário e social apontou ao longo de mais de um século de lutas.


(*) Membro do Centro de Estudos Cultura e Cidadania ¿ Florianópolis (CECCA)


Postado por Rorix às 10:45 PM.

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Investigação

O relatório é o resultado de uma investigação especial realizada pelo subcomitê do Knesset que monitora os serviços secretos do país.

O objetivo original do inquérito era avaliar se as agências de inteligência de Israel haviam exagerado sobre o risco das armas do Iraque antes da invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003.

Mas o escopo do relatório foi ampliado quando o presidente da Líbia, Muamar Khadafi, anunciou em dezembro o fim do programa de armas de destruição em massa, e sobre o qual Israel não tinha conhecimento.

O relatório descreve a falha dos agentes israelenses em descobrir o programa da Líbia como "intolerável".

Segundo o relatório, "houve uma falha preocupante quando acordamos uma manhã e descobrimos, por meio de serviços de inteligência estrangeiros, sobre a existência de um programa de armas nucleares que poderia ameaçar a existência do Estado de Israel".

O inquérito também criticou os serviços secretos por não conseguir determinar se o Iraque tinha mesmo armas de destruição em massa.

O comitê, liderado por Yuval Steinitz, do partido Likud, disse que "houve uma falha séria que precisa levar a uma reorganização dos serviços de inteligência".

O relatório recomenda várias reformas, incluindo a criação de um oficial de inteligência que se reporte ao primeiro-ministro do país.

FONTE : BBC.UK

"E QUEM JULGARÁ O ERRO DOS ATAQUES ?"



Postado por Rorix às 1:00 PM.

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[ Domingo, Abril 25, 2004 ]


... E PARA OUVIR






www.thedistillers.com





Postado por Rorix às 1:05 PM.

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O LIXO TAMBÉM TEM LÁ SUA IMPORTANCIA E CONSEQUENCIA !


Muito se tem discutido sobre as melhores formas de tratar e eliminar o lixo -- industrial, comercial, doméstico, hospitalar, nuclear etc. -- gerado pelo estilo de vida da sociedade contemporânea. Todos concordam, no entanto, que o lixo é o espelho fiel da sociedade, sempre tão mais geradora de lixo quanto mais rica e consumista. Qualquer tentativa de reduzir a quantidade de lixo ou alterar sua composição pressupõe mudanças no comportamento social.

A concentração demográfica nas grandes cidades e o grande aumento do consumo de bens geram uma enorme quantidade de resíduos de todo tipo, procedentes tanto das residências como das atividades públicas e dos processos industriais. Todos esses materiais recebem a denominação de lixo, e sua eliminação e possível reaproveitamento são um desafio ainda a ser vencido pelas sociedades modernas.

De acordo com sua origem, há quatro tipos de lixo: residencial, comercial, público e de fontes especiais. Entre os últimos se incluem, por exemplo, o lixo industrial, o hospitalar e o radioativo, que exigem cuidados especiais em seu acondicionamento, manipulação e disposição final. Juntos, os tipos doméstico e comercial constituem o chamado lixo domiciliar que, com o lixo público -- resíduos da limpeza de ruas e praças, entulho de obras etc. -- representam a maior parte dos resíduos sólidos produzidos nas cidades.

Destinação do lixo urbano. A adequada condução do serviço de limpeza urbana é importante não só do ponto de vista sanitário, mas também econômico-financeiro, social, estético e de bem-estar. Apesar disso, um estudo conveniado da Organização Pan-Americana de Saúde, de 1990, que estimou em mais de oitenta mil toneladas a quantidade de resíduos sólidos gerados diariamente nas cidades brasileiras, constatou que apenas a metade era coletada. A outra metade acabava nas ruas, terrenos baldios, encostas de morros e cursos d'água. Da parte coletada, 34% iam para os lixões (depósitos a céu aberto) e 63% eram despejados pelos próprios serviços de coleta em beiras de rios, áreas alagadas ou manguezais, prática cada vez mais questionada por suas implicações ecológicas. Somente três por cento da parte coletada recebiam destinação adequada ou pelo menos controlada.

O lixo coletado pode ser processado, isto é, passar por algum tipo de beneficiamento a fim de reduzir custos de transporte e inconvenientes sanitários e ambientais. As opções de tratamento do lixo urbano, que podem ocorrer de forma associada, são: compactação, que reduz o volume inicial dos resíduos em até um terço, trituração e incineração. Boa opção do ponto de vista sanitário, a incineração, porém, é condenada por acarretar poluição atmosférica.

A disposição final do lixo pode ser feita em aterros sanitários e controlados ou visar à compostagem (aproveitamento do material orgânico para a fabricação de adubo) e a reciclagem. Esses dois últimos processos associados constituem a mais importante forma de recuperação energética. A reciclagem exige uma seleção prévia do material, a fim de aproveitar os resíduos dos quais ainda se pode obter algum benefício, como é o caso do vidro, do papel e de alguns metais.

A solução defendida por muitos especialistas, porém, envolve a redução do volume de lixo produzido. Isso exigiria tanto uma mudança nos padrões de produção e consumo, quanto a implantação de programas de coleta seletiva de lixo. Nesse caso, os diversos materiais recicláveis devem ser separados antes da coleta, com a colaboração da comunidade.


Postado por Rorix às 2:00 AM.

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[ Sábado, Abril 24, 2004 ]

Ambush In The Night

Vejo que eles estão lutando por poder mas eles não conhecem a hora, assim eles subornam com suas armas, peças sobressalentes e dinheiro tentando denegrir sua honestidade dizem que nós sabemos é justo o que nos ensinam através da tragédia política nos mantem com fome, quando iremos comer algum alimento seu irmão começou a ser seu inimigo, emboscada na noite, todas as armas apontadas para mim, emboscada na noite abriram fogo contra mim,emboscada na noite protegidos por sua majestade, vejo que eles estão lutando por poder, mas eles não conhecem a hora, assim eles subornam com suas armas, peças sobressalentes e dinheiro tentando denegrir sua honestidade bem, o que nos sabemos não é o que eles nos dizem não somos ignorantes, eu penso assim eles não poderiam tocar em nós em nome dos poderes do soberano, nós continuaremos sobrevivendo. Emboscada na noite planejada pela sociedade, emboscada na noite, eles estão tentando me conquistar, emboscada na noite, qualquer coisa que o dinheiro possa trazer, emboscada na noite, planejada pela sociedade emboscada na noite.




Postado por Rorix às 11:42 PM.

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DICAS :




TIROS EM COLUMBINE

Postado por Rorix às 11:16 PM.

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[ Segunda-feira, Abril 19, 2004 ]

Introdução a Uma Crítica da Geografia Urbana


De todos os acontecimentos que participamos, com ou sem interesse, a busca fragmentária de uma nova forma de vida é o único aspecto ainda apaixonante. É necessário desfazer aquelas disciplinas que, como a estética e outras, se revelaram rapidamente insuficientes para essa busca. Deveriam se definir então alguns campos de observação provisórios. E entre eles a observação de certos processos do acaso e do previsível que se dão nas ruas.

O termo psicogeografia, sugerido por um iletrado Kabyle para designar o conjunto de fenômenos que alguns de nós investigávamos no verão de 1953, não parece demasiado impróprio. Não contradiz a perspectiva materialista dos acontecimentos da vida e do pensamento provocados pela natureza objetiva. A geografia, por exemplo, trata da ação determinante das forças naturais gerais, como a composição dos solos ou as condições climáticas, sobre as estruturas econômicas de uma sociedade e, por conseqüência, da concepção que esta possa criar do mundo. A psicogeografia se propunha o estudo das leis precisas e dos efeitos exatos do meio geográfico, conscientemente organizado ou não, em função de sua influência direta sobre o comportamento afetivo dos indivíduos. O adjetivo psicogeográfico, que conserva uma incertitude bastante agradável, pode então ser aplicado as descobertas feitas por esse tipo de investigação, aos resultados de sua influência sobre os sentimentos humanos, e inclusive de maneira geral a toda situação ou conduta que pareça revelar o mesmo espírito de descobrimento.

Se disse durante muito tempo que o deserto é monoteísta. Se encontrará ilógica, ou desprovida de interesse, a constatação de que o distrito de Paris, entre a Place de Contrescarpe y la ru l'Arbalète conduz ao ateísmo, ao esquecimento e a desorientação das influências habituais?

É conveniente ter uma concepção historicamente relativa do utilitário. A necessidade de dispor de espaços libres que permitem a rápida circulação de tropas e o emprego da artilharia Contra as Insurreições esteve na origem do plano de embelezamento urbano adotado pelo segundo império. Mas desde qualquer ponto de vista, exceto o policial, a Paris de Haussmann é uma cidade construída por um idiota, plena de ruído e fúria, que nada significa. Hoje o principal problema do urbanismo é resolver o problema da circulação de uma quantidade rapidamente crescente de automóveis. Podemos pensar que o urbanismo vindouro se aplicará a construções, igualmente utilitárias, que concedam a maior consideração às possibilidades psicogeográficas.

Além do mais, a abundância atual de veículos privados não é mais que o resultado da propaganda constante pela qual a produção capitalista persuade as massas - e este é um de seus êxitos mais desconcertantes - de que a possessão de um carro é precisamente um dos privilégios que nossa sociedade reserva a seus privilegiados. (Por outro lado, o progresso confuso se nega a si mesmo: alguém pode gozar do espetáculo de um oficial de polícia convidando em um anúncio publicitário aos parisienses proprietários de automóveis a utilizar transportes públicos).

Posto que encontramos a idéia de privilégio inclusive em assuntos tão banais, e que sabemos com que certa cólera tanta gente - por pouco privilegiada que seja - está disposta a defender suas medíocres conquistas, é necessário constatar que todas estes detalhes participam de uma idéia burguesa de felicidade, idéia mantida por um sistema de publicidade que engloba tanto a estética de Malraux como os imperativos da Coca-Cola, e cuja crise deve ser provocada em qualquer ocasião, por todos os meios.

O primeiro destes meios é sem dúvida a difusão, com um objetivo de provocação sistemática, de um conjunto de propostas tendentes a converter a vida em um jogo apaixonante, e o contínuo menosprezo de todas as diversões para com o uso, na medida em que estas não podem ser desviadas para servir à construção de ambientes. É certo que a maior dificuldade em tal projeto é fazer passar estas propostas aparentemente delirantes para um grau suficiente de séria sedução. Para a obtenção deste resultado se pode imaginar um uso hábil dos meios de comunicação imperantes. Mas também um tipo de abstencionismo provocativo ou de manifestações tendentes à decepção radical dos aficionados destes meios de comunicação, podem fomentar inegavelmente, sem muito esforço, uma atmosfera de incomodidade extremamente favorável à introdução de novas noções de prazer.

A idéia de que a realização de uma situação eleita depende unicamente do conhecimento rigoroso e da aplicação deliberada de um certo número de técnicas concretas, inspirou o jogo psicogeográfico da semana publicado, não sem certo humor, no número 1 de POTLATCH: "Em função do que você busca, escolha um país, uma cidade mais ou menos populosa, uma rua mais ou menos animada. Construa uma casa. Amuebladla. "tire o maior partido de sua decoração e seus arredores. Eleja a estação e a hora. reuna as pessoas mais adequadas, os discos e as bebidas mais convenientes. A iluminação e a conversação deverão ser as oportunidades para a ocasião, como o tempo atmosférico ou vossas recordações. Se não houve nenhum erro em vossos cálculos, o resultado deve satisfazer-te."

Devemos trabalhar para inundar o mercado, mesmo que pelo momento não seja mais que o mercado intelectual, com uma massa de desejos cuja realização não rebaixará a capacidade dos meios de ação atuais do homem no mundo material, mas sim a velha organização social. Não carece de interesse político contrapor publicamente tais desejos aos desejos elementares que não nos assombra vermos repetidos incessantemente na indústria cinematográfica ou nas novelas psicológicas, como desse velho carniceiro de Muriac. (Marx explicava ao pobre Proudhon que, em uma sociedade fundada sobre a "miséria", os produtos mais "miseráveis" tem a fatal prerrogativa de servir ao uso do maior número de pessoas).

By Guy Debord, 1955

Postado por Rorix às 11:48 PM.

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Desobediência : A Virtude Original do Homem

Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido. Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo. Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade. Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralizante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos em uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curioso lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.

By Oscar Wilde in The Social Soul of a Man Under Socialism, 1891.


Postado por Rorix às 11:45 PM.

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LIBERDADE ll

O Corpo e a Liberdade

Este é um assunto intrigante e uma idéia que habita as mentes libertárias. Já explorado pela Filosofia e pelas Ciências Humanas, ainda é um tema bastante delicado e controvertido.

A libertação do corpo é, por conseguinte, a liberação de sensações, desejos, medos. Entrar em contato com esses sentimentos é extremamente difícil para o ser humano, especialmente por sermos herdeiros de uma couraça muscular desencadeada ao longo do processo civilizatório.

De acordo com o psicanalista Wilhelm Reich, a pessoa que sofre uma repressão ( qualquer tipo ) tende inconscientemente a fechar-se para o mundo, com medo de uma nova dor, e assim a prender sua energia vital em determinado (s) ponto (s) do corpo, impedindo o seu fluxo natural q culminaria com o orgasmo. A esse processo Reich chama de estase de energia. Tal aprisionamento engendra uma série de complicações neuróticas que se manifestam no físico ( inclusive no sistema vegetativo ) e no psíquico. Bem, mas o nosso objetivo nessa singela reflexão não é discutir as teses reichianas ( para quem deseja um aprofundamento no assunto, recomendo A Função do Orgasmo, do autor ), portanto voltemos à nossa questão inicial...

Um indivíduo com a sua energia reprimida fica fraco, vulnerável, e portanto submisso. Este é o objetivo principal de quem detém o poder, fazer com que seus supostos servidores percam a consciência de si e de sua força. Sendo essa uma excelente tática para a introjeção e a manutenção de um pensamento padronizado, onde as pessoas sirvam sem "saberem" que servem. É a manipulação das consciências, muito mais sutil e eficaz que a violência física, não é mesmo ? Próprio da era da razão e da tecnologia..., ou será que deveria dizer da tecnocracia ??

A nova forma de alienação é a promoção de um tipo físico padronizado, do atleta sexual, da roupa de tal marca, etc.

Libertemos nossos corpos e nossas emoções reais! Não deixemos que essas máscaras caiam sobre nós! Somos diferentes e a diferença é um pressuposto para a evolução. Corpos, sensações e experiências diversas. Como querer que pensemos todos da mesma maneira ? Um único grupo de pessoas decidindo a vida de milhões ? É no mínimo um ilogismo. Por isso, a necessidade da libertação, que começa no íntimo de cada um, no contato com você mesmo. Só assim será possível o pensamento legítimo e a capacidade de amar.

A luta individual é o passo inicial para a quebra , o rompimento com o pré-conceito diante das diferenças, aceitar a diferença é execer sua liberdade de se relacionar com o novo sem culpa e o novo ser aceito sem medo, a liberdade parte de dentro para fora e assim sucessivamente. Aceitar e ser aceito ate que todo o campo individual passe a agir coletivamente naturalmente sem que exista barreiras e longe de qualquer tipo de dominação.

Postado por Rorix às 11:44 PM.

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[ Domingo, Abril 18, 2004 ]



A dificuldade em liberta-se da mordaça é o reflexo da edu-castração que recebi durante o decorrer da vida ... rompemos com nós mesmos , somos nossos proprios traidores quando absorvemos intimo á dentro tudo aquilo que não queremos em troca do bem-estar e da sobrevivencia, é como se nunca fossemos sujeitos da história e sim meros espectadores passivos ao julgo da lei da moral e dos bons costumes... tentar liberta-se é tarefa única e solitaria dos que querem ainda viver o pouco tempo que lhes resta.


Postado por Rorix às 2:40 PM.

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"Fui acusado de ser um utópico, de querer eliminar o desprazer do mundo e defender apenas o prazer. Contudo, tenho declarado claramente que a educação tradicional torna as pessoas incapazes para o prazer encouraçando-as contra o desprazer. Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor."
Wilhelm Reich (1942) em "Function Of The Orgasm

Postado por Rorix às 2:28 PM.

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O MASSACRE DE PALESTINOS, O TERRORISMO DE SHARON E A HIPOCRISIA AMERICANA: A QUEM INTERESSA A GUERRA?

Eu poderia ter contado
a história do rouxinol assassinado
poderia ter contado
a história...
se não me tivessem cortado os lábios

Samih Al Qassim


A Liberdade do povo

Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
Voz da grande cólera que faz versos
Sob as balas, no meio das chamas
Voz que persigo apesar das correntes
Cujo avanço apresso, apesar da noite
E luto fazendo versos
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
E o rio sagrado e as pontes fazem versos
Liberdade!
O trovão, o redemoinho e a tormenta de minha pátria
Fazem versos comigo
Liberdade! Liberdade! Liberdade!
Continuarei lutando
E gravarei na terra, nos muros
Nas portas, nas janelas
No templo da virgem e nos mihrabs
Nos sulcos, nos relevos e nas rochas
Na prisão, na câmara de torturas, na forca
Apesar das correntes, apesar da destruição das casas
Apesar da mordida das brasas
Continuarei gravando teu nome
Até que a veja
Estender-se sobre minha pátria e crescer
Crescer, crescer
Até cobrir cada polegada de sua terra
Até que eu veja a liberdade vermelha abrir cada porta
A noite fugir e a luz destroçar as fortificações da névoa
Liberdade!
Liberdade!
Liberdade!
O rio sagrado e as pontes fazem versos
Liberdade!
E as duas margens fazem versos
O trovão, o redemoinho e as tormentas de minha pátria
Fazem versos comigo
Liberdade! Liberdade! Liberdade!



Postado por Rorix às 12:57 PM.

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[ Sábado, Abril 17, 2004 ]

SE NÃO FOR LIBERTÁRIA, TODA A PEDAGOGIA É AUTORITÁRIA

NÃO HÁ EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA QUE NÃO SEJA AUTO-EDUCAÇÃO

PRECISAMOS APRENDER COM OS OUTROS APENAS O QUE NÃO NOS FOI POSSÍVEL APRENDER SOZINHOS

A NECESSIDADE DE APRENDER É BIOLÓGICA, ELA SE FAZ SEMPRE DE DENTRO PARA FORA

O IMPULSO PELA BUSCA DO CONHECIMENTO É MAIS IMPORTANTE DO QUE A COISA CONHECIDA

ENSINAR O QUE NÃO FOI PERGUNTADO, ALÉM DE INÚTIL, É UMA ESPÉCIE DE ESTUPRO CULTURAL

A NECESSIDADE DE CONHECIMENTO É COMPULSIVA, COMO A DE LIBERDADE E A DE OXIGÊNIO

SOMOS TODOS DIFERENTES UNS DOS OUTROS, INCLUSIVE PELO INTERESSE EM CONHECER

AS TEORIAS EDUCATIVAS CONSISTEM EM TIRAR ALGUMA COISA ANTES DE DAR, CENSURAR ANTES DE OFERECER MODELOS VÁLIDOS, PROIBIR E IMPOR NORMAS ANTES DE SOCIALIZAR A EXPERIÊNCIA

A CRIANÇA APRENDE TUDO SOZINHA. BASTA NÃO IMPEDI-LA. SÓ PRECISAMOS ENSINAR-LHE DETALHES TECNOLÓGICOS

AS UNIVERSIDADES NORTE-AMERICANAS JÁ PROVARAM: OS UNIVERSITÁRIOS SAEM COM MENOR QI DO QUE QUANDO ENTRARAM NELAS

A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA SE BASEIA NO GOSTO ESPONTÂNEO DAS CRIANÇAS PELO CONHECIMENTO E EM SUA CAPACIDADE NATURAL DE CRITICAR O QUE LHES ENSINAM. A PEDAGOGIA AUTORITÁRIA VISA FUNDAMENTALMENTE DESTRUIR ESSE POTENCIAL CRÍTICO

PERGUNTAR É O ATO MAIS ESPONTÂNEO E O ÚNICO REALMENTE INDISPENSÁVEL NA FORMAÇÃO CULTURAL. NÃO SE É LIVRE PARA PERGUNTAR EM AMBIENTE AUTORITÁRIO


Postado por Rorix às 4:19 PM.

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Postado por Rorix às 4:12 PM.

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[ Quinta-feira, Abril 15, 2004 ]



Postado por Rorix às 8:42 PM.

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Ouvindo RADIOHEAD . . . Procurem se deixar envolver por " KARMA POLICE " quem tem um pouco de sensibilidade chega a transcender.

Postado por Rorix às 8:38 PM.

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[ Quarta-feira, Abril 14, 2004 ]



A MARCA !
Durante milhares de anos na história da antiga China, imperadores deificaram o dragão e proclamaram a si mesmos "filhos do dragão" para consolidar a sua força e espantar os maus espiritos com o som do trovão.


Postado por Rorix às 9:10 PM.

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E NA CABECEIRA . . .

Postado por Rorix às 12:03 AM.

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[ Terça-feira, Abril 13, 2004 ]



A proposta é apresentar o meu lugar através de imagens capturadas em uma webcam

Postado por Rorix às 10:25 PM.

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[ Segunda-feira, Abril 12, 2004 ]

Meu interesse por Eduardo Galeano começou na leitura de seus pequenos artigos e criticas, logo depois li o "Palavras Andantes" e em seguida "As caras e as mascaras", quem estiver na net sem saco e afim de ver e ler algo muito bom entra num site de busca e procura por Eduardo Galeano que vocês não irão se arrepender.



A função da arte

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul.

Ele, o mar, estava do outro lado as dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!




A Celebração da fantasia

Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra, quando um menino do lugar, esquelético, esfarrapado, chegou perto para me pedir que desse a ele de presente uma caneta. Eu não podia dar a caneta que tinha, porque estava usando-a para fazer sei lá que anotações, mas me ofereci para desenhar um porquinho em sua mão.

Subitamente, correu a notícia. E de repente me vi cercado por um enxame de meninos que exigiam, aos berros, que eu desenhasse em suas mãozinhas rachadas de sujeira e frio, pele de couro queimado: havia os que queriam um condor e uma serpente, outros preferiam periquitos ou corujas, e não faltava quem pedisse um fantasma ou um dragão.

E então, no meio daquele alvoroço, um desamparadozinho que não chegava a mais de um metro do chão mostrou-me um relógio desenhado com tinta negra em seu pulso:

- Quem mandou o relógio foi um tio meu, que mora em Lima- disse.

- E funciona direito? - perguntei.

- Atrasa um pouco - reconheceu.
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GALEANO EM CHIAPAS - MÉXICO

Postado por Rorix às 11:42 PM.

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Postado por Rorix às 11:37 PM.

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SABEDORIA

Certa vez perguntaram ao sábio Confúcio:

"O que mais o surpreende na humanidade?"

E ele respondeu:

"Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e
depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por
pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de
tal forma que acabam por nem viver no presente nem no
futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como
se nunca tivessem vivido..."

Postado por Rorix às 11:36 PM.

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Mulherão


Peça para um homem descrever um mulherão.
Ele imediatamente vai falar no tamanho dos seios, na
medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos...
Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1,80 m, siliconada, sorriso Colgate.
Mulherões, dentro desse conceito, não existem muitas:
Vera Fisher, Malu Mader, Adriane Galisteu, Letícia Spiler, Lumas e Brunas.

Agora, pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você
vai descobrir que tem uma em cada esquina...
Mulherão é aquela que pega dois ônibus para ir ao
trabalho e mais dois para voltar e, quando chega em casa, encontra um tanque
lotado de roupa e uma família morta de fome.
Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matrícula
na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para
buscar uma pensão de R$ 100,00.
Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a
sexta e uma família todos os dias da semana.
Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois
de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.
Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que
faz dietas, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se
perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.
Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola,
leva os filhos na natação, busca os filhos na natação, leva os filhos para a
cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz.
Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não
chega. É quem, de manhã bem cedo, já está de pé, esquentando o
leite.
Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz
serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é
quem lava a roupa para fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e, à
tarde, trabalha atrás de balcão.
Mulherão é quem cria os filhos sozinha, é quem dá expediente de 8 horas
e enfrenta menopausa, TPM e menstruação.
Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a
cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os
cinzeiros vazios.
Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e
qual o melhor remédio para azia.
Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas: mulheres nota 10 no quesito
lindas de morrer, mas mulherão é quem mata um leão por dia!

Martha Medeiros
(escritora - gaúcha)
extraído do jornal
Zero-Hora - RS


Postado por Rorix às 11:35 PM.

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[ Domingo, Abril 11, 2004 ]

Complicado...
Começar do zero, espero que este se torne mais útil e menos impessoal.

A proposta continua sendo a mesma, e quando tiver tempo vou dar uma melhorada no template.

Postado por Rorix às 3:13 AM.

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Quem estiver por ai , entender um pouco de espanhol, dá uma passada na página: www.nodo50.org
Lá tem muita coisa interessnte e útil.
Vamos tentar mudar o discurso, mudar o rumo de nossas proprias vidas e acabar com os clichês de que politica é chato ou que eles vão fazer algo por nós... e o pior de todos: TODO MUNDO É CORRUPTO, VAMOS VOTAR DIREITO.. claro que existe corrupção, analfabetos politicos , agora... voltar direito ? ? ? essa não rola.
Eu voto direito
Tu votas direito
Nossos avós votaram direito
E nossos pais? á quanto tempo eles votam direito ?

Postado por Rorix às 3:08 AM.

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